A História

PINCELADA DE DADOS HISTÓRICOS - ILHA DO FOGO - 

Expansão das navegações portuguesas na costa africana para o Sul, em várias expedições, no reinado do Infante D. Henrique (1394-1460). Na história de Portugal, é o século das Grandes Viagens e dos Descobrimentos.

Existe a possibilidade de alguns navegadores ou exploradores terem avistado ou acostado em uma ou outra das ilhas do arquipélago, antes de 1460. Africanos, árabes e/ou europeus, como o navegador italiano Luís de Cadamosto. Mas prevalece a versão oficial portuguesa.

 

1460

Descoberta de Cabo Verde

 

1460

(1 de Maio) Descoberta das cinco ilhas orientais e meridionais, inabitadas, pelos navegadores Diogo Gomes (português) e António de Noli (genovês).

 

O documento mais antigo que se conhece e refere a Ilha do Fogo é a Carta Régia de 3 de Dezembro de 1460, que doou ao Infante D. Fernando as ilhas do Atlântico até então identificadas: «... Sam Jacobo (Santiago) e Fellipe (Fogo) (por se terem achado no dia daqueles Santos – 1º de Maio – tomaram o nome deles) e da Ylha dellas Mayas (Maio) e da Ylha de Sam Cristovam (Boa Vista) e da Ylha Lana (Sal)...».

 

1462

Descoberta das ilhas ocidentais, pelo navegador Diogo Afonso, entre Dezembro de 1461 e Janeiro de 1462, facto que se pode deduzir das festividades do calendário litúrgico, com que as ilhas foram baptizadas para a história: Ilha de S.Nicolau (6 de Dezembro), Ilha de Santa Luzia (13 de Dezembro), Ilha de Santo Antão (17 de Janeiro) e Ilha de S.Vicente (22 de Janeiro).

... E Ilha Brava.

 

1460-1470

Primeiros povoadores da Ilha de S.Filipe. A ilha começou a ser explorada por moradores de Santiago (europeus naturais de Portugal, Itália, Espanha,…) e por africanos e escravos trazidos da Costa da Guiné.

A Ilha do Fogo foi a segunda ilha de Cabo Verde a ser povoada.

 

1480

Fala-se da edificação do segundo templo paroquial em Cabo Verde, dedicado a São Filipe, na ilha do Fogo.

A capela/igreja de São Filipe, assim como as primeiras habitações foram edificadas no lugar onde hoje fica o cemitério de baixo.

 

Séc. XV 

As «Festas das Bandeiras» terão começado pouco depois do povoamento da Ilha do Fogo: Festas de S. Sebastião (20 de Janeiro), de S. João (24 de Junho) e de S. Pedro e S. Paulo (29 de Junho). Todos tinham uma parte religiosa e outra profana, numa simbiose de várias culturas e rituais, portugueses e africanos. A Festa de S. Filipe parece ter iniciado mais tarde.

 

1500

Erupção vulcânica, a primeira de que se tem notícia escrita.

 

1504

O mais antigo documento do século XVI respeitante ao Fogo tem a data de 24/07/1504. Trata-se de um contrato de arrendamento.

O que quer dizer que o Fogo já albergava, no seu interior, um núcleo populacional, económica e socialmente organizado.

Aparece pela primeira vez, no documento, a mudança do nome de São Filipe para Fogo.

 

« (...) A Ilha do Fogo se chama de Fogo porque em meio della há uma serra mui alta mais que nenhuma outra ilha destas, na qual serra sempre arde fogo, que parece a olhos vistos. E em certos tempos do ano ferve (...) Esta ilha é povoada de gente. Aqui não há casa de pedra e cal nem de madeira, salvo de pedra em sosso. Há nesta ilha grande criação de cabras. Agoas tem poucas e salobras de que a gente bebe. Nasce aqui muito algodão (...)» Valentim Fernandes (escrito entre 1505 e 1510)

 

1510 (ou 1513)

Criação da capitania da Ilha do Fogo.

O primeiro capitão-donatário foi Fernão Gomes.

 

1515

Já se faz referência aos «juizes» da Ilha do Fogo, o que significaria que já existia uma Câmara.

 

1528

A capitania do Fogo foi entregue em regime de donatário ao Conde de Penela, D. João de Menezes e Vasconcelos.

 

1533

Criação da Diocese de S.Tiago de Cabo Verde. A Igreja esteve presente desde o nascimento de Cabo Verde e cooperou na formação sócio-religiosa do seu povo. Acompanhou o progressivo povoamento das ilhas de Santiago e do Fogo.

 

1556

Já existe a freguesia/paróquia de S.Lourenço. A igreja paroquial nasceu com a transformação de uma ermida, que existia no morgado de Pombal e da qual foi transladada a lápide funerária actualmente inserida na igreja paroquial: «Aqui jaz Ana Serana – mulher que foi de D. Fernandes – faleceu 1538».

 

1572

Num documento relativo à sustentação do clero, sabe-se que S.Filipe tinha 150 fogos e S.Lourenço 90 (que se pode avaliar em 2500 almas, sem contar os menores). Portanto, existiam já duas paróquias/freguesias na Ilha do Fogo.

 

1580

A Ilha do Fogo enfrenta Filipe II de Espanha.

Através da tradição oral é comum ouvir-se que durante o domínio Filipino em Portugal, a Ilha do Fogo foi o único lugar onde a bandeira dos Filipes (de Castela-Espanha) nunca chegou a ser hasteada.

 

1593

Foi criada o cargo de «capitão-môr» no Fogo.

 

Séc. XVI

Apresenta-se a Ilha do Fogo como grande produtora de algodão, com fabrico artesanal de panos, produção agrícola, gado, criação de cavalos... muitos navios estrangeiros por ali passavam... comércio activo, sobretudo com a Costa da Guiné, onde, em troca, adquiria-se mão-de-obra escrava para as lavouras.

 

1600

Anterior a 1600 é a Irmandade de S.Filipe, que durou até 1800 e da qual talvez derivou o grupo dos «Reinados».

Falam também os livros de um hospício e de um convento situado em «Afonso Gil de N. S. da Conceição». Perderam-se todos os vestígios, apagando as recordações históricas.

 

1609-1611

Três anos de seca, muitas mortes pela fome, doenças, pragas, mortandade de gado, as árvores secaram...

 

1655

Piratas holandeses, com conivência de alguns portugueses, saqueiam a vila de S.Filipe.

« (...) O assaltou durou quatro dias. A população indefesa foi colhida completamente de surpresa. Foram aprisionadas várias mulheres e crianças e o próprio vigário teve a mesma sorte, sendo posteriormente resgatados a troco de muitas fazendas (dinheiro). Entretanto, quebraram e profanaram as imagens das igrejas, roubando-as de todo ouro e prata, ornamentos, sinos e tudo o mais que nelas havia (...) As tentativas feitas no sentido de ir buscar socorros a Santiago falharam (...) Os piratas inutilizaram ainda todas as peças de artilharia e levaram com eles toda a pólvora e munições existentes (...) Mesmo alguns livros de registo não fugiram à rapina dos salteadores (...)»

Este saque foi demolidor. Trouxe imenso prejuízos à ilha. A vila de S.Filipe ficou numa situação miserável.

 

Séc. XVII

É neste século que começou o povoamento dos Mosteiros.

 

Séc. XVII

Abrandamento da economia, decadência, crise grave até à penúria. Conflitos com o poder central de Santiago, reivindicação de mais autonomia e acesso directo ao mercado.

 

Séc. XVIII

Já no princípio do séc. XVIII eram estas ilhas visitadas por navios americanos que se dedicavam ao comércio, à pesca da baleia, recebendo os tripulantes cabo-verdianos. As dificuldades económicas e os períodos de seca e fome obrigavam os naturais a procurar a vida por outros paragens.

Inicio da emigração para a América.

 

1793

Após várias outras tentativas, é um rico comerciante e agricultor da Ilha do Fogo (algarvio de nascimento), João Carlos Mendes de Rosado, que propõe povoar a Ilha de S.Vicente, levando consigo 20 casais e 50 escravos

 

1806

Aforamento da Cova Figueira a João Gomes de Araújo. Inicio do povoamento com casais vindos da freguesia de Nossa Senhora de Ajuda, afectados pela erupção de 1799.

 

1815

Cova Figueira conta já 132 fogos, 703 habitantes. A sua igreja é dedicada à Santa Catarina.

 

1855

Surto de cólera no Fogo, trazido por um barco italiano, que fundeou na praia de S.Filipe. Da morabeza ao pavor da contaminação.

 

1853-1866

Secas prolongadas e fomes, sentidas em todas as ilhas e muito fortemente no Fogo. Em 5 anos, a ilha perdeu 7000 almas, metade da sua população, devido à forte mortalidade e ainda a emigração.

 

1857

Entre 1500 e 1857, segundo o quadro das erupções referido por Orlando Ribeiro, terá havido mais de 20 erupções vulcânicas, com duração mais ou menos prolongada.

 

1862

Chegada à Ilha do Fogo do francês Armand de Mont-Rond, que se estabeleceu na ilha, onde morreu em 1900. As razões da sua vinda continuam um tanto misteriosas. Parte da sua descendência vive, hoje, na Chã das Caldeiras.

 

1864

Extinção do regime de morgadio que existia desde do séc. XVI, (herança que se transmite de primogénito à primogénito e que não pode ser alienada). Francisco do Sacramento Monteiro (Nhô Francisquinho) (1853-1917) foi um dos últimos morgados do Fogo.

 

1878

Fim da escravatura em Cabo Verde. Um Decreto de 1856 dava 20 anos de prazo para a abolição total da escravidão. Nessa altura, havia 1235 escravos na Ilha do Fogo (5168 escravos em todo o arquipélago, 5,8% da população).

 

1880

Consta do relatório do ano de 1880, redigido pelo então administrador do Concelho do Fogo, João Baptista Vieira de Vasconcellos, que a Igreja de Nossa Senhora da Conceição se encontra em fase de acabamento. (B.O. nº 50/51 de 1880)

 

1887

Ligação marítima regular entre Fogo/Brava e EUA. As travessias, de veleiros, podiam levar três a quatro semanas. 

A emigração para a América vai crescendo. Mercadoria e remessas dos emigrantes abastecem o fraco comércio local.

 

1899-1904

Seca, fome e varíola.

 

1880-1910

Construção de grande parte dos sobrados de S.Filipe, que hoje constituem a peculiaridade da arquitectura da cidade.

 

1905

Nasceu, em S.Filipe, António Barbosa Carreira (1905-1988). Paralelamente à sua carreira na função pública, dedicou-se à investigação histórica. Publicou várias obras sobre temas como história económica, vida social, escravatura, crises, secas e fomes, migrações, classes sociais, demografia.

 

1914

Inauguração da «Aguadinha», o reservatório de água que abastece a Vila de S.Filipe. Juntamente, existia um viveiro e um bebedouro (no lugar onde hoje se encontra a casa-cinema). O problema de abastecimento de água era agudo.

 

1917

Foi desenterrada a Bandeira de S.Filipe pelo grupo recreativo Sete-Estrelas. Retomou-se o ritual das Festas.

 

1919

Nasceu, na freguesia de S.Lourenço, Henrique Teixeira de Sousa (1919-2008), médico e escritor. Da sua obra literária, o romance mais conhecido: «Ilhéu de Contenda».

 

1922

12 de Julho de 1922. Elevação da antiga Vila de S.Filipe à categoria de Cidade.

 

1927

Chegada dos primeiros carros ao Fogo, no barco «Coriolano» vindo da América.

 

1928

Edificação da actual Câmara Municipal.

 

1933

Revolta na Chã das Caldeiras. Não cumprimento de cobranças fiscais e desentendimento entre a população e a administração da Ilha.

 

1941-1943 e 1947-1948

Últimas grandes crises e fomes em Cabo Verde. No Fogo, a ilha mais castigada, perdeu entre 1940 e 1950, 6.200 habitantes, 27% da sua população.

 

1942

Morte do jornalista e poeta foguense Pedro Monteiro Cardoso (1890-1942). Fundador do jornal «O Manduco».

 

1951

Nova erupção vulcânica, após quase 100 anos de repouso.

 

1957

Abertura da nova linha aérea para Mosteiros pelo Aero Clube de Cabo Verde, com o avião Dove, que podia transportar 9 passageiros. Criação da TACV em 1958. No seu voo inaugural para a pista de São Filipe, em 1959, o avião Dakota teve um acidente.

 

1975

Independência Nacional

 

Dados compilados e organizados por Monique Widmer

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